Era de prática comum na cidade, o carnaval. Mesmo quem dizia não gostar sabia, quando passava do lado de fora da janela o bloco de rua, as marchinchas, que acabavam por sair da boca no ritmo assobiado, querendo-se ou não.
Ano após ano o tal do carnaval ia ganhando mais e mais adeptos, sendo o principal motivo de tal aumento estatístico derivar do aumento da taxa de natalidade, proveniente do aumento de sexo que fazia-se em cada carnaval. No entanto faz-se necessária a explicação de que o carnaval, de forma alguma nasceu ou desenvolveu-se para ser uma festa símbolo da promiscuidade. Apenas tem como objetivo divertir e, querendo-se ou não, o sexo é símbolo de enorme diversão em muitos lugares, culturas e países do mundo.
Quando eu digo que no carnaval não havia tristeza, assumo isso com argumentos. Explico: Em 1999, por exemplo, dizia-se que o mundo ia acabar na virada do ano. Logo, o carnaval daquele ano seria o último da história. Isso de forma alguma afetou a festa, pelo contrário, muitas marchinchas foram criadas com o fato do fim eminente, marchinchas essas proporcionais ao número de sexo que foi feito. E quando eu digo que em novembro daquele ano nasceram muitas crianças, é necessário que eu diga isso com exagero.
Tenho em vista que já provei meu ponto. Portanto venho então a finalmente, após muito falatório pouco explanatório, explicar o fato que sucedeu-se no fatídico ano passado.
Era sábado de carnaval e, quando se percebeu o que estava acontecendo, ninguém realmente soube o que fazer. Simplesmente a cidade do Rio de Janeiro amanheceu com o Sol a pino, num clima ótimo para o carnaval, mas a festa simplesmente não acontecia.
Não haviam blocos na rua, não haviam fantasias de pena de pavão nem carros alegóricos. Simplesmente o carnaval não acontecia.
No domingo, as pessoas já começavam a preparar suas teorias. Nenhuma delas, claro, fazia qualquer sentido. Por Deus, algumas pessoas chegaram até a botar papel alumínio nas cabeças, pensando que fossem os alienígenas.
Na segunda o choque foi o maior, pois todos começaram a perceber que os desfiles não passavam na televisão simplesmente pois não estavam acontecendo. Era triste.
Pessoas em casa começavam a entrar em níveis graves de depressão e na quarte feira os lixeiros, desanimados com a vida sem carnaval, tiveram que pedir ajuda dos bombeiros pois não haviam lixo para ser varrido das ruas, apenas corpos de pessoas que suicidavam-se de seus apartamentos.
Todos foram cremados numa clara alusão as cinzas da quarta feira.
Após o feriado as pessoas começavam a voltar a sua rotina normal mas no fundo sabiam que o ano não seria mais o mesmo pois não tinha acontecido o carnaval, e se não havia acontecido o carnaval não havia mais motivo para se viver pois a felicidade era o carnaval. Ou o contrário.
Estamos em dois mil e treze, na véspera de um novo carnaval e não sabemos o que esperar. Rezo, todas as noites para Deus permitir que haja um novo carnaval. Para isso rezo um pai nosso, uma ave maria e canto uma marchinha diferente a cada dia. Rezo também para o diabo, pois nao sei se tamanha diversão só pode ser provida pelo divino.
Diogo
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