Levanto tarde, o sol das duas horas sobre o meu corpo.
Dor de cabeça. Ressaca da noite anterior.
Ela esta sentada no chão do lado da minha cama. Tem alguma coisa brilhante nas mãos.
Pensei que você não fosse acordar nunca. Olha, meu chaveiro novo.
É bonito, respondo sem olhar.
Segura ele, se você apertar aqui ele pisca e treme.
Depois eu vejo com calma, to cansado.
Ela se levanta e mexe no meu cabelo.
Você não vai cortar o cabelo? Ele é maior que o meu.
Um dia eu corto.
Ela tira uma escova do bolso.
Deixa eu pentear ele pra você, ta todo bagunçado. Eu vou dormir aqui hoje, minha mãe vai sair eu vou ficar aqui, sabia?
É eu sei. Eu vou dormir mais um pouco depois a gente conversa direito.
Sua mãe disse que eu podia entrar no seu quarto porque já estava na hora de você acordar. Faz aquela mágica do isqueiro pra eu ver? E depois brinca comigo na rede, ta bom?
Tiro o lençol de cima das pernas. Viro a cara para a parede.
Agora não dá para brincar, mais tarde talvez. Vou dormir.
Ela se afasta da cama.
Desde quando você virou gente grande?
Não entendi, eu não sou gente grande.
É sim. Diz que não tem tempo pra brincar e ta com cara de irritado, isso é coisa de gente grande.
Olho para ela. O chaveiro parou de piscar. Reparo na sua perna rabiscada de caneta.
O que aconteceu com a sua perna?
Tentei fazer uma tatuagem igual a sua, ela diz sorrindo.
Sorrio também.
Ela se aproxima da cama de novo. Tira um papel amassado do bolso.
Fiz um desenho pra você.
Ela me entrega. Na parte de fora esta escrito “para o meu primo”, dentro um coração com o meu nome.
Sorrio de novo.
Viu, outro sorriso. Já ta deixando de ser gente grande.
Me levanto.
Vou botar uma roupa e depois a gente vai ali embaixo comprar um sorvete.
Eu ainda não almocei, sua mãe vai brigar.
Então a gente não conta pra ela.
Ela segura minhas mãos e diz que prefere sorvete de chocolate.
Nathan

